Mosteiro dos Monges Cistercienses da Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo
   APRESENTAÇÃO DA ORDEM CISTERCIENSE

APRESENTAÇÃO DA ORDEM CISTERCIENSE

 

PREFÁCIO

 

1.               Escuta, ó filho, os preceitos do mestre, e inclina os ouvidos do teu coração; acolhe de boa vontade os conselhos de um pai que te quer bem e coloca-os em prática com fidelidade.

2.               Cristo Jesus é o filho de Deus, feito homem para mostrar a todos os homens o caminho que conduz a Deus.

3.               Jesus chama à fé, convida a cada um de nós a viver da fé. Todos somos convidados a escutar a mensagem do Evangelho e a colocá-lo em prática. Todos somos bem-vindos no Reino de Deus.

4.               Na jovem comunidade cristã criaram-se bem cedo vários modos de ser seguidor de Cristo. Depois que o Cristianismo tornou-se religião oficial do Império Romano, fato que marcou definitivamente o fim da era dos mártires, começaram a aparecer mulheres e homens que para tender à santidade não percorreram o caminho normal da vida cotidiana, mas, por exemplo, retiraram-se na solidão do deserto. O seu grande modelo bíblico era João Batista, que no deserto da Judéia foi o primeiro a preparar a si mesmo e aos homens do seu tempo para a chegada do Messias.

Alguns foram chamados por Jesus para serem seus discípulos de uma maneira particular: para segui-Lo deixaram definitivamente casa, família e trabalho. Este foi o chamado dos apóstolos, com os quais Jesus condividiu  a sua vida pública e enviou a anunciar o Evangelho e a batizar.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 19h08
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   APRESENTAÇÃO DA ORDEM CISTERCIENSE

5.               Alguns foram chamados por Jesus para serem seus discípulos de uma maneira particular: para segui-Lo deixaram definitivamente casa, família e trabalho. Este foi o chamado dos apóstolos, com os quais Jesus condividiu  a sua vida pública e enviou a anunciar o Evangelho e a batizar.

6.               Viver completamente só no deserto comportava dificuldades pelas quais bem logo se constituíram na solidão comunidades monásticas nas quais os monges, sob a direção de um abade, rezavam juntos e condividiam alguns aspectos ou momentos da sua existência, permanecendo porém cada um na solidão de sua morada. Criaram-se regras monásticas, e homens de Deus, os Padres do Deserto, reuniram estas pessoas junto a si e as conduziram no caminho da santidade.

7.               A cristianização da Europa deu lugar também no Ocidente às primeiras fundações de mosteiros, que se tornaram centros de missão. Foram os próprios monges e monjas a anunciar o Evangelho na Europa e a levar aos pagãos a fé em Jesus Cristo.

8.               Um particular relevo para o monaquismo na Europa reveste a figura e obra de São Bento de Núrcia, chamado “Pai do Monaquismo Ocidental” porque é à sua Regra que na Idade Média se refere, de modo dominante, a vida das Ordens Monásticas.

9.               Nasceu não longe de Roma, onde ficou quando jovem para completar seus estudos e, como as mulheres e os homens nas comunidades orientais paleocristãs, “rebelou-se” contra a vida conformista e secularizada desta grande cidade, voltando-lhe as costas.

10.            Associou-se a um grupo de ascetas e viveu três anos como eremita numa gruta em Subiaco, onde fundou alguns pequenos mosteiros.

11.            Depois de alguns anos de preparação em diversas formas de vida monástica, Bento deixou Subiaco com alguns monges e fundou o mosteiro de Montecassino, onde escreveu a sua Regra em torno de 530.

Com a  redação da Regra Bento supera o conflito entre solidão e comunidade.

12.            Venhamos, pois, com o auxílio de Deus “disciplinar o fortíssimo gênero dos cenobitas”.

13.             A Regra de São Bento ao longo dos séculos conduziu milhares de monges e monjas no caminho da fé.

14.            Operi Dei nihil praeponatur ; significa que monges e monjas vivem segundo uma ordem comum estabelecida, marcado pelas horas de oração litúrgica.

15.            Há nove séculos, 21 de março de 1098, início da primavera  e festa de São Bento – que naquele ano também era Domingo de Ramos – um pequeno grupo de monges deixaram o mosteiro de Molesme para fundar na Borgonha francesa a sul de Dijon, uma nova possessão monástica, que foi chamado “Novo Mosteiro”. Mais tarde ele tomou o nome de Cîteaux do nome da localidade, em latim Cistercium.

16.             Os Cistercienses são Beneditinos , sob todos os aspectos, porque os monges fundadores de Cîteaux puseram a Regra de Bento no centro da sua vida monástica.

17.             Em pouquíssimo tempo a Ordem Cisterciense difundiu-se em toda a Europa graças aos três abades fundadores, Roberto, Alberico e sobretudo Estêvão, os santos monges e monjas, Elredo, Guilherme e Guerrico, Gertrudes e Lutgarda, e em modo particular São Bernardo, que entrou muito jovem em Cister onde tornou-se abade.

18.            As monjas e monges cistercienses desenvolveram um papel importantíssimo como portadores de fé, cultura e ensinamento. Eles introduziram ciência e saber nos vários países da Europa, tanto que muitas gerações de homens de ciência e de eruditos se formaram nas suas escolas monásticas.

19.             Depois de tempos de desenvolvimento e de decadência, hoje a Ordem Cisterciense ainda viva no espírito dos fundadores, compõe-se de 13 congregações monásticas autônomas que reagrupam cerca de 2000 monges e monjas em 145 mosteiros presentes em quatro continentes: Europa, Ásia, África e América.

20.             Podemos dizer que tudo na vida concreta da Ordem Monástica está ordenado àquilo que São Bento chama de busca de Deus. A jornada monástica é dividida entre liturgia, trabalho, uma reunião comunitária chamada Capítulo, a Lectio Divina, o estudo que ocupa o resto do tempo.

21.             Os Cistercienses com o sadio equilíbrio entre da autonomia e solidariedade na necessidade, também hoje criam as condições ideais para um retorno à radicalidade evangélica.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 19h07
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VIGÍLIAS

1.               Domine labia mea aperies, Senhor, abri os meus lábios – são as primeiras palavras da jornada monástica depois do silêncio noturno. As comunidades monásticas devem dedicar-se ao silêncio sempre com empenho, mas sobretudo à noite.

2.               Temos necessidade de calar para poder estar sempre prontos ao diálogo com Deus, ao conhecimento de nós mesmos e à escuta. Por isso todos os irmãos empenham-se em manter a quietude no mosteiro e contribuir de tal modo a criar uma atmosfera de vida na presença de Deus. O silêncio noturno é observado com particular atenção em nossas comunidades.

3.               Falar e calar no momento certo é verdadeiramente um sinal de autêntica fraternidade. O silêncio e a quietude são premissas necessárias e são de ajuda para a vida de oração.

4.               Venite adoremus – vinde adoremos o Senhor – este canto é um convite, um chamar os monges e monjas a louvar a Deus.

5.               Hodie si vocem meam audieritis, - se hoje escutares a minha voz – Ausculta, escuta – esta é a primeira palavra da Regra. Monges e monjas são discípulos: falar e ensinar convém ao mestre, silenciar e escutar, porém, convém ao discípulo.

6.                É retíssima norma, norma segura de conduta para a nossa vida. Nós escutamos a Palavra de Deus. Esta palavra de salvação nos dá ajuda e segurança.

7.                Nas Vigílias, na Liturgia das Horas noturnas, cantamos salmos e escutamos as leituras; no mosteiro percorremos os caminhos do Senhor seguindo as seus passos sob a guia do Evangelho.

LAUDES

1.               A comunidade monástica espera a Santa Páscoa na alegria de um desejo espiritual e nada deve antepor ao amor de Cristo.

2.               Desde os tempos antigos as igrejas cristãs são orientadas para o leste. O sol que surge é símbolo de Cristo, a luz, símbolo da ressurreição e da nossa fé pascal.

3.               A comunidade pede no final de cada momento de oração o auxílio de Deus para as irmãs e os irmãos ausentes. Deste modo cada um pode estar seguro da recordação da oração da própria comunidade, também quando por determinados motivos não pode estar presente.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 19h06
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MISSA

1.               A Missa é o centro da vida da Igreja e do mosteiro.

Nada pode ser anteposto a Cristo: nele o completo dom de nós mesmos encontra a sua mais nobre expressão.

Em Cristo a comunidade monástica tem o seu constante nutrimento e a sua força. O superior lê o Evangelho para a comunidade. Para os monges é o Senhor que fala através do Abade. Pelo fato que ele faz as vezes de Cristo no mosteiro, a Regra exige dele que mostre o que é bom e santo com as palavras, mas muito mais com as obras.

2.               A comunidade participa com atitude solene, atenta e pronta à Palavra de Deus.

3.               A Igreja vive e cresce na Eucaristia: ela é fonte e cume de toda a vida cristã.

4.               Todos os membros da comunidade dela tomam parte para representar e renovar o amor do corpo místico de Cristo na grande família da Ordem Cisterciense, unidos em Cristo na palavra, no sacrifício e no banquete eucarístico.

5.               À celebração eucarística, além da comunidade monástica, participam os hóspedes, os visitantes e outros fiéis.

 

REFEIÇÕES

1.               O café da manhã é tomado em comum, em espírito de família.

Em alguns mosteiros se permanece à mesa, procurando, de certo modo o aberto diálogo fraterno.

2.               A vida fraterna em comum para os Cistercienses constituiu sempre uma profunda exigência.

Por isso o Abade Elredo nos deixou reflexões profundas sobre a fraternidade como amizade espiritual.

3.               Eles, então rivalizem-se reciprocamente no prestar honras, suportem com paciência inexaurível as enfermidades sejam físicas ou morais dos irmãos, competem no obedecer-se uns aos outros. Manifestem com coração puro a caridade fraterna, temem a Deus com amor, amam o abade com afeto humilde e sincero, não antepondo nada a Cristo, o qual nos conduza, todos juntos à vida eterna.

 

TERÇA

1.               Devemos cantar os Salmos de modo tal que a nossa mente esteja em sintonia com as nossas palavras.

2.               A oração da Hora Terça do dia recorda a descida do Espírito Santo sobre a igreja nascente no dia de Pentecostes. Nós nos voltamos ao nosso trabalho cotidiano com a força do Espírito.

 

CAPÍTULO

1.               “Faça tudo com o conselho e, depois não te arrependerás”.

2.               Cada vez que no mosteiro ocorre tratar assuntos importantes o abade deve reunir toda a comunidade. Ele deve escutar o conselho dos co-irmãos...

3.               A cada dia na sala capitular  é lido o Capítulo da Regra de Bento. É o próprio Bento quem estabelece isto: Queremos, enfim, que a Regra seja lida freqüentemente em comunidade, para que nenhum irmão use do pretexto de não conhecê-la.

4.               Os fundadores de Cister pretenderam retornar à pureza da Regra de Bento, que é bem outra coisa que observância literal.

5.               O Abade é o centro da comunidade e dirige os esforços de cada um para o objetivo comum, coordenando as esperanças, os desejos, os contributos e o trabalho de todos.

6.               O amor é a lei fundamental da Igreja: por isso os membros da nossa Ordem se esforçam de modo particular para crescer no amor a Deus e ao próximo e em julgar tudo à luz deste amor.

7.               No Capítulo vêm discutidas todas as questões importantes da comunidade e da vida do mosteiro.

As normas de lei e as indicações dos superiores não devem ter os monges em um estado de dependência infantil, mas devem conduzi-los a uma liberdade cristã madura e à participação da responsabilidade para o bem de toda a comunidade. Deve-se ter em conta a sua capacidade pessoal e é dado espaço às suas sugestões.

 

8.               O bem da obediência se realiza plenamente na vida monástica só se os superiores buscam sinceramente e concordes com os seus coirmãos a vontade de Deus sabendo que a obediência é exercitada não somente diante da autoridade humana, mas diante do próprio Deus que nos chamou.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 19h04
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NOVICIADO

1.               Examine-se acuradamente se o noviço busca verdadeiramente a Deus, se é solícito para com a oração comunitária, a obediência e as humilhações.

2.               O empenho definitivo na profissão é precedido por um período de prova de ao menos quatro anos como candidato, noviço e professo de votos temporários.

3.               A vida monástica, isto é, a profissão dos conselhos evangélicos no mosteiro mediante votos públicos, é uma forma estável de vida com a qual o monge se doa totalmente a Deus, amado sobre toda as coisas, seguindo Cristo mais de perto sob a ação do Espírito Santo.

4.               A profissão monástica solene, livre e definitiva resposta ao chamado do Espírito Santo, incorpora a monja e o monge ao mosteiro e os faz partícipes dos seus bens espirituais e temporais.

 

HOSPEDARIA

1.               Todos os hóspedes que chegam ao mosteiro sejam acolhidos como o Cristo em pessoa.

2.               A hospitalidade cisterciense sempre é uma característica dos nossos mosteiros que acolhem de boa vontade as pessoas que junto de nós buscam a tranqüilidade do corpo e do espírito e esperam encontrar homens de Deus,

A acolhida não se fixa no aspecto externo, mas os coirmãos estão sempre disponíveis, sabendo que o sacrifício do próprio tempo é um instrumento de ascese. Isto os empenha a aprofundar os conhecimentos a ponto de poder servir eficazmente de ajuda a homem de hoje nas suas preocupações e nas suas questões, sempre mantendo aquela cortesia e aquele tato que são nisto obviamente indispensáveis.

 

TRABALHO

1.               Otiositas inimica est animae – O ócio é inimigo da alma.

2.               Tunc vere monachi sunt, si labores manuum suarum vivunt – Então serão verdadeiros monges quando vivem do trabalho das próprias mãos.

3.               Por isso o trabalho não é somente um remédio contra o ócio nem mera ocupação para passar o tempo, mas um elemento substancial do nosso tender à perfeição cristã.

4.               O trabalho, intendido como modo de colaborar na criação divina e obra da salvação, faz parte da essência e da dignidade do homem e serve para explicitar a sua personalidade e as suas capacidades. Por outro lado o trabalho, enquanto fatiga cotidiana, é também um válido instrumento de ascese que contribui para a edificação e o sustento da comunidade, permitindo ao mosteiro distribuir partes de seus proventos aos pobres e necessitados.

5.               Ainda em um mosteiro existem diversos carismas, nas comunidades de fato cada um tem o seu próprio dom, uma particular manifestação do Espírito, que é dada a um para a utilidade de todos. A diversidade dos membros está ao serviço do bem de todo o corpo e cada um pode participar da plenitude do Espírito somente se participa da multiplicidade dos dons.

6.               Entre os dons presentes na comunidade existe também o  serviço da autoridade, exercitado pelos superiores: ...eles, conscientes da complexidade e da multiformidade da sua tarefa não pensem de dever fazer tudo sozinhos, mas que façam participar das suas funções os coirmãos experientes em determinados campos e, por outro lado, que eles próprios façam tal experiência e dela tiram proveito...

...que a cada coirmão...se dê grande liberdade de ação e que seja respeitada a competência no seu âmbito de atividade...

7.               Ainda que determinados elementos da moderna vida cisterciense não atinjam todos os membros da Ordem (por exemplo o sacerdócio) ou não compete a todos os mosteiros (como a educação dos jovens e a vida pastoral), eles são da mesma forma reconhecidos. Elementos da vida monástica que na Regra ou nos inícios da Ordem Cisterciense não aparecem ou aparecem pouco não são por isso considerados em segundo plano ou suspeitos. Como tudo isto é vivo, a vida monástica cresce no curso do tempo, se desenvolve adquirindo muitas coisas novas e abandonando não poucas velhas.

8.               Nós somos de fato Cistercienses em cada instante de nossa vida, e devemos ser tal não só quando nos reunimos para a oração ou no observar as normas da vida comunitária, mas também no estudo, no trabalho, no serviço sacerdotal, na oração privada, no serviço ao próximo...

9.               Buscamos então uma visão de conjunto que una todos os campos da vida em um só serviço ao Senhor.

10.            Todo o mosteiro é uma escola do serviço divino, é uma escola da caridade. Muitos mosteiros fazem nisso uma atividade importante; dirigem escolas, colégios e também uma Escola Superior de Teologia.

11.             A atividade de formação e de educação dos jovens em escolas e colégios não é alheia a uma reta concepção de vida monástica.

Aqueles que se dedicam a esta atividade dão a sua contribuição para a construção do Reino de Deus e da sociedade humana.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 19h03
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SEXTA - ORAÇÃO NO CORO

1.               Depois de horas dedicadas ao trabalho no período da manhã, a oração do coro reúne a comunidade diante de Deus ao meio-dia, na sexta hora do dia. Todos voltam das suas diversas atividades de trabalho e retomam à quietude da oração.

2.               A vida no mosteiro é de fato constituída pela união de oração, vida comunitária e trabalho, que se condicionam e estimulam reciprocamente e a liturgia e o restante da vida monástica estão ligados harmonicamente um ao outro.

 

ALMOÇO

 

1.               Durante as refeições da comunidade não falta nunca a leitura, pois temos necessidade de alimento seja para o corpo seja para a alma.

2.               Um refeitório monástico pelas suas linhas arquitetônicas recorda um ambiente litúrgico e em alguns casos as mesas são feitas de modo a parecer com altares.

3.               A refeição tomada em comum não é só um comer alimento, mas é também um prolongamento da Eucaristia, ágape, comunidade de fraternidade.

 

PROCISSÃO DO MISERERE

1.               Miserere mei Deus – Ó Deus, tende piedade de mim.

2.               Percorrendo juntos o trajeto do refeitório até a Igreja cantando o Salmo 51.

 

SESTA - RECREAÇÃO

1.               Repouso, sesta, pausa, relax... não constituem um desvio do espírito monástico, mas antes uma necessidade para uma vida bem ordenada...

Esta pausa na metade do dia foi concedida aos próprios monges de Bento já há 1500 anos atrás.

2.               Como todos os homens que prestam um serviço, também na comunidade temos necessidade de momentos de repouso para encontrarmo-nos conosco mesmos, para conservar o nosso rendimento, para adquirir novas energias para colocarmo-nos  novamente com alegria ao serviço da comunidade.

3.               Este é um momento da jornada para se transcorrer agradavelmente todo o tempo juntos – também isto faz parte da vida no mosteiro, já que para constituir uma comunidade se precisa também de falar uns com os outros.

A severa organização da jornada em um mosteiro cisterciense pode suscitar a impressão que se trata só de formas e ritos exteriores. Se no passado se tinha esta impressão hoje os Cistercienses se empenham por uma espiritualidade autêntica e acreditável.

4.               No empenhar-se para a nossa renovação precisa prestar atenção a que formas e serviços da nossa vida correspondem à peculiaridade e às exigências da sociedade hodierna.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 19h02
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   Apresentação da ordem Cisterciense

 

CLAUSURA – MEDITAÇÃO – CLAUSTRO

1.               O retorno ao silêncio na vida monástica é uma grande ajuda para subtrair-se do vai e vem do mundo: pois a separação do mundo constitui uma premissa da vida monástica e parte importante da vida cisterciense.

2.               A clausura torna possível a vida em comum, protege o espaço interno do mosteiro e favorece o diálogo do monge com Deus.

3.               Os Cistercienses vivem em comunidade, mas tornam sempre a retirar-se para a solidão. O espírito do isolamento era importante para os fundadores de Cister, sobretudo em relação com as abadias cluniacenses, muitas vezes com centenas de monges, onde, às vezes o indivíduo desaparecia atrás da solenidade  litúrgica.

4.               A vida cisterciense é uma vida inserida no campo de ação compreendida entre o indivíduo e comunidade, busca da solidão “eremítica” no interior da vida comunitária, escuta do chamado à solidão interior no interno da comunidade monástica.

5.               Sob o modelo da casa romana que girava em torno ao impluvium, espaço aberto ao redor do qual se articulavam os lugares em que a família vivia e trabalhava, o claustro está situado no centro do mosteiro e os lugares nos quais se desenvolve a vida da comunidade – igreja, sala capitular e refeitório – são deslocados ao longo dos seus corredores.

6.               Ele é um lugar privilegiado para o encontro com Deus, onde a alma se entretém agradavelmente com o Esposo Divino e escutando a sua voz, chega gradualmente à caridade perfeita.

7.               Viver no centro – concentrados na presença de Deus – está é a vida monástica.

8.               Todavia não constitui nenhum obstáculo se nós, coerentemente com os afazeres do mosteiro, nos dedicamos fora da clausura ao apostolado e à atividade caritativa.

 

ATIVIDADES PASTORAIS

1.               Ora et labora

2.               Segundo a Regra de São Bento a razoável alternância e harmonioso equilíbrio entre oração, leitura e trabalho são uma estrada autêntica para Deus.

3.               A grande maioria dos membros da Ordem nos nossos mosteiros não somente tem a consagração sacerdotal, mas considera também o exercício do serviço sacerdotal como elemento essencial da própria vocação.

4.               São Gregório ensina que São Bento “chamou à fé a população que habitava ao redor graças a uma pregação incessante” e que muits vezes enviava também os próprios coirmãos ao vilarejo vizinho “para exortar as almas”.

5.               Deve ser nosso interesse fazer que as nossas comunidades monástico-sacerdotais estejam dispostas a exercitar um serviço pastoral, segundo o desejo da Igreja e segundo as necessidades locais.

6.               O sacerdócio no Novo Testamento no seu sentido mais pleno é associado não somente ao culto, mas ao serviço da comunidade cristã dos fiéis.

 

NONA

1.               Mediante a paciência se participa da paixão de Cristo e não se deve nunca desesperar da misericórdia de Deus.

2.               A nona, uma das assim ditas Horas Menores, que é recitada à tarde, recorda a hora da morte do Senhor. Voltemos nosso olhar para o Crucifixo.

3.               Também o nosso caminho no interior do mosteiro encontra continuamente cruzes: dificuldades na convivência, no trabalho e ainda na aceitação dos próprios limites. Na oração se aprende a ter confiança e força de resistência nas dificuldades.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 19h00
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   Apresentação Ordem Cisterciense

BIBLIOTECA

1.               O testemunho mais antigo de um lugar do mosteiro onde se reúnem os livros da comunidade remonta ao próprio São Bento na Regra.

2.               É coisa conhecida que a cultura antiga chegou a nós através dos mosteiros, nos quais os textos dos autores pagãos e cristãos vinham transcritos e conservados para os pósteros.

3.               Em torno da transcrição do texto tomaram forma algumas expressões de arte assim chamadas menor, enquanto os textos da biblioteca eram enriquecidos de miniaturas e encadernação de valor. Os próprios locais da biblioteca se enriqueciam de obras de entalhe, de ebanesteria, de mármore, estuques, dourado que até hoje ficaram como expressão da importância deste lugar na vida do mosteiro: a biblioteca mesma se apresenta como lugar precioso onde, hoje como antes se recolhem textos e coleções de livros que representam o orgulho do mosteiro.

4.                Os mosteiros mais importantes tinham também um scriptorium, ligado à biblioteca, no qual a obra de transcrição do texto antigo se fazia também com a de produção de obras novas, que vinham incrementar o patrimônio livreiro.

5.               Em alguns mosteiros existem escolas especializadas na recuperação de antigos manuscritos e livros velhos.

6.               Ao livro, que permanece elemento principal em torno do qual se constitui a biblioteca, nos mosteiros ajuntam-se m outros instrumentos de conservação e de transmissão de saber.

A moderna tecnologia se casa admiravelmente com a tradição e permite à biblioteca do mosteiro de continuar a sua dúplice função.

 

LECTIO DIVINA

1.               Enquanto que os Cistercienses na solenidade da Liturgia da Horas são louvor e glória ao Senhor pela sua obra de Criação e pela obra da Redenção, eles recebem com amor a sua Palavra na Lectio Divina. A Sagrada Escritura lhes ajuda a compreender e a buscar sempre melhor o mistério de Cristo.

2.               A leitura da Sagrada Escritura e de outros livros espirituais, lenta e desenvolvida como uma oração, conduz à meditação e à contemplação... Ao lado da oração e do trabalho o horário da jornada de cada mosteiro prevê um tempo para a Lectio Divina.

3.               O grande Cisterciense Guilherme diz: “se queres progredir, lê com o mesmo espírito no qual foi redigida a Escritura. Lê livros piedosos e simples”.

 

VÉSPERAS

1.               Chegados ao início da noite, no fim da jornada marcada pelo trabalho e a oração, se encontram novamente todos na igreja para as vésperas, que são cantadas com solenidade. Nas orações das vésperas a Igreja com gratidão faz memória da criação e, no louvor do Magnificat, se une a Maria, a mãe de Jesus: a minha alma louva a grandeza do Senhor.

 

JANTAR

1.               A comunidade monástica torna possível a cada um dos seus membros de desenvolver a própria personalidade, de madurecer até à santidade, tutela a sua dignidade enquanto cristãos e homens e se faz garante deles.

2.               Cada um dos membros, de sua parte, é consciente das obrigações que lhes vinculam de acordo com as leis da comunidade e estão em completa disposição desta última.

 

LEITURA DAS COMPLETAS – AS COLAÇÕES

1.               Depois do jantar, seguem todos juntos. Depois um deles lê as “Conferências”, as “Vidas dos Padres” ou outra abra de edificação. Lêem-se quatro ou cinco páginas ou quanto o tempo permite: neste ínterim se reúnem todos, também aqueles empenhados em qualquer serviço. Então todos juntos vão para a Igreja para recitar as Completas.

 

1.               Nas Completas os salmos são os mesmos todos os dias, isto é, Salmo 4, Salmo 90 e Salmo 133. Estes salmos se recitam em seqüência, sem antífona, depois o hino próprio da Hora, uma leitura, o versículo, o “Kyrie eleison”. Concluí-se com a bênção do Abade.

2.               As orações de Completas são todos os dias as mesmas. Isto sá segurança e convida à meditação... As palavras pronunciadas na oração do coro nos conduzem à oração pessoal.

3.               Todos os mosteiros cistercienses são consagrados a Maria, rainha do céu e da terra. Porque Maria é modelo de santidade e de vida consagrada, os cistercienses a elegeram como singular patrona da Ordem e de cada mosteiro. Por isso cada monge terá, sob modelo de São Bernardo e dos Pais Fundadores, uma especial veneração por Maria, mãe do Senhor.

4.               Quem quer que tu sejas que te apressas à pátria celeste, coloca em prática com o auxílio de Cristo, esta mínima Regra escrita para iniciantes; e depois poderás finalmente, com a proteção de Deus, chegar aos mais altos cumes da sabedoria e virtude que nós acima recordamos. Amém.

 



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 18h56
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EXPLICAÇÃO DO ÍCONE DA IGREJA ABACIAL
Interpretação pessoal com parâmetros usados
 para os ícones da Igreja Bizantina Russa

 

No centro do quadro, há um trono lilás, lembrando que a pregação anterior a Jesus se marcava fortemente pelo apelo à penitencia e conversão. Está colocado no centro de uma grande cruz em ouro escuro, que significa a abundancia divina. Esta cor domina toda a obra.

Esta mesma cor, um pouco diluída em outros lugares, é como uma revelação que se faz pouco a pouco, uma iniciação que o monge faz gradativamente. Todo este amarelo ouro, fala da superabundância da vida Trinitária que nos é dada em sua totalidade no mistério do amor crucificado revelado na cruz que tem sua haste vertical bem plantada na terra e mergulha no céu. A haste horizontal que se iguala em tamanho à haste vertical, sugere que o amor ao próximo deve nos comprometer quase tanto quanto o amor a Deus.

A terra, onde a cruz se planta firmemente, é de um vermelho mais esmaecido, porque suavizada pela presença da cruz salvadora. A terra onde os santos abades se apóiam, é da mesma cor do escabelo onde se apóiam os pés da Mãe de Deus. A terra sempre significa segurança por oposição à água para os navegantes (Quando o Senhor morreu na cruz, a terra tremeu, mostrando que a antiga segurança já não bastava mais) A cor ocre da terra (terra roxa) como a desta região, sugere que toda mensagem se dirige a este povo, transportando toda a revelação divina para este espaço em que Deus se revela.

As formas geométricas mais evidentes são o triângulo, o círculo, o retângulo e o quadrado. Estes dois últimos são o hieróglifo da terra: 4 ângulos, 4 pontos cardeais, 4 ventos, os 4 cantos do mundo. Cifra simbólica para os 4 evangelhos na sua plenitude, onde nada se pode tirar nem acrescentar, sinal da universalidade da Palavra, onde Jesus se define como Luz (a janela da direita) e insiste na oração-contemplação (incenso na janela da esquerda).

O triângulo é bem marcado, pelas linhas imaginárias unindo as auréolas da Mãe de Deus, no seu vértice e dos Santos Abades em sua base. No centro deste triângulo se encontra a mão direita do Filho de Deus, (sobre seu coração) em gesto ao mesmo tempo de abençoar e indicar a Palavra, livro que tem em sua mão esquerda, marcado com sua característica revelada: " Eu sou o Alfa e o Omega, o primeiro e o último, o principio e o fim,"(Ap.22,13) aquele que é, que era e que virá, estive morto e agora vivo pelos séculos eternos". Este triângulo comanda toda a obra, como a eternidade comanda o tempo.

No quadro, não há sombras. Nenhuma parte do quadro é iluminada, mas difunde sua própria luz, que brota de um foco secreto. A densidade das cores - azul, vermelho, preto, branco, contrasta com o amarelo-ouro.

Do quadro vem um forte apelo: "Aceitem o Filho. Eu o entrego através de sua Mãe e da direção dada pelos Santos Abades com sua Santa Regra, atualizada neste lugar e tempo. Vocês são comunidade, isto é, criados à imagem do Deus Trindade, para usar seu tempo, seu corpo, coração e alma, na oração e escuta da Sua Palavra. Ele os liberta de si mesmos na sua cruz redentora. Todos são convidados a se unir em torno da mesma Palavra e se elevar ao nível do coração Divino."

As figuras esbeltas - o corpo 14 vezes o tamanho da face ( 7 vezes é o normal), significa grandeza e santidade.

Suas vestes, tratadas de forma esquemática, dão a impressão de leveza, de imaterial (menos a figura da Mãe de Deus).São leves, de caimento simples, sugerem um corpo alongado, exprimem o elemento de força e combinam com a forma suave das faces, com um ritmo de frescura juvenil que proclama graça e força contidas no interior das figuras. As calvices tonsuradas sublinham a firmeza e a fragilidade das fisionomias espiritualizadas. A perspectiva consegue abolir a distancia e a profundidade onde as coisas se alongam ao longe e, por um efeito contrário, aproxima as figuras daquele que contempla, mostrando que Deus está presente e que está em toda parte.

Notam-se ainda vários planos superpostos: O fundo, espaço onde a revelação se faz, de tonalidade mais forte do amarelo-ouro, como que para sustentar toda a revelação que se segue. O trono lilás, sustentáculo e expressão da dignidade e eternidade das duas mais importantes figuras: a Mãe e seu Menino. A grande cruz, apoio para toda a revelação do amor crucificado e vivo eternamente. O céu, acima de toda a cena, onde se revela a perenidade do ato criador. As duas pequenas janelas, iluminadas mais fortemente que o resto da obra. É um convite a penetrar, mais profundamente, paulatinamente e com firmeza, na espiritualidade e história desta ordem que deseja sempre reformar-se para reformar a Igreja e a Sociedade. Sugere um diálogo entre S.Bento e S.Bernardo, cujo tema poderia ser " Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu Filho único, nascido de uma Mulher..."

ÍCONE DA IGREJA ABACIAL



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 17h00
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AS FIGURAS QUE APARECEM NO ÍCONE DA ABADIA

1- O PAI está presente numa figura estilizada, em movimento num céu tempestuoso, apresenta uma poderosa e eterna juventude, em contraste com a eterna senectude da arte renascentista. Sua mão direita aureolada, com todo seu poder criador, no " Fiat" eterno que se manifesta em toda sua grandeza na vinda do Filho, por meio de Maria. A cruz, com a cor um
pouco mais clara, porque livre a fraqueza da humanidade, é introduzida na glória eterna, pela ascensão do Filho.

2- A MÃE DE DEUS é a figura que mais se destaca. Colocada bem no centro, com sua túnica vermelho-escuro (símbolo do amor de Deus que a envolveu desde sempre) o manto com véu (maphorion) azul escuro, (simboliza a verdade celeste) tendo na barra um precioso galão dourado, com 3 estrelas, uma sobre a fronte e uma em cada ombro, sinal dogmático de sua virgindade perpétua. (as estrelas sobre os ombros, são também um sinal de poder: no oriente, um servo beija seu superior nos ombros). É uma figura grande, bem maior que os santos Abades Bento e Bernardo, como a reafirmar Apocalipse 12,1 = "O sinal grandioso aparecido no céu, uma mulher" e Ct.6,10= "terrível como um exército em ordem de batalha..." Ela paira, apesar do trono, como uma revelação que vem do alto.

Colocada mais alta que os Santos Abades, como centro da mensagem. Sua postura monumental, revela paz hierática e imobilidade mas, por um contraste dos mais tocantes, o movimento do braço esquerdo, dá a impressão de uma paz oferecida. É o extremo oposto das madonas de Rafaello. Sua beleza é diferente dos cânones terrestres. Apresentada com os traços transcendentes da nova criatura, totalmente deificada, seu rosto é pleno de majestade celeste mas, ao mesmo tempo, todo humano, expressa uma tristeza serena. Seu olhar tem uma densa e forte aflição, mas contempla o infinito com compreensão amorosa das fraquezas dos filhos. Poderia talvez sugerir o hipotético epIsódio de S.Bernardo, em dificuldades, dizer à imagem do jardim: "Monstra te esse matrem" e a resposta vinda do lado da imagem: "Monstra te esse filium".

Não está coroada com as 12 estrelas do Apocalipse 12,1, mas elas pairam como um dossel sagrado sobre a Mulher e seu Filho. Com a mão direita, aponta a mão direita do Filho que abençoa e, a esquerda, estendida a S.Bernardo, como que aceitando sua oferta.

3- O MENINO - Longe da tocante ingenuidade do Bambino Gesú. Ele é o Verbo Eterno. Usa vestes de adulto. Só seu tamanho revela que se trata de uma criança. No mais é a maturidade do Ser eterno e imortal. Seu rosto, sério e majestoso, reflete a sabedoria Divina.

Sua roupa, tecida de branco e ouro, sinal do sol sem ocaso, cores da dignidade divina. O centro do triângulo, formado pelas auréolas de sua Mãe e de seus servos, é sua mão que abençoa e indica sua realidade: Alfa e Omega, principio e fim de tudo. Abençoa também a realidade sugerida a seus pés, a reforma monástica proposta por Cistér, apesar da força transformadora de Cluny. A mão direita da Mãe, como que secunda a bênção do Filho.Está no colo da Mãe, como em um trono. É Ele que, por seu olhar, introduz o orante na revelação do ícone.

4- SÃO BENTO - Sua figura, de um ancião, se mostra ainda viril e forte, sugerindo que assim é seu ideal: eternamente robusto, apesar da decadência dos tempos. Está voltado na direção de São Bernardo. Fiel ao cap. 7 de sua Regra, está com a cabeça inclinada.

Transpira humildade. Na linguagem simbólica das linhas, as curvas côncavas significam obediência, atenção, abnegação, receptividade. Assim inclinada, da figura de S.Bento emanam estas virtudes. A mão direita estendida em direção ao solo, terra firme, que simboliza segurança, como a dizer que abre mão do espaço que é dele. Seu olhar sai do quadro, em direção da cadeira do Abade, reconhecendo que este, fazendo as vezes de Cristo (R.B.2.2) é mais seu sucessor na comunidade dos irmãos e herdeiro do seu carisma. Tem na mão esquerda, meio afastado do corpo, o livro da R.B. como em oferta permanente a quem retomou seu ideal mais radicalmente: São Bernardo. A inclinação de seu corpo e sua cabeça, é também uma homenagem à Mãe de Deus e seu Filho. Seu báculo sinal de poder e autoridade, sustentado pelo braço esquerdo e muito inclinado sugere que agora é outro que indica o caminho, que conduz. Em seu campo, há uma luz, brilhando em espaço mais claro, mais iluminado, mas não ilumina o quadro. Está fechada em outra realidade e é apenas vista através de uma estreita janela retangular, sugerindo que a claridade que difunde no campo fechado, poderia ser difundida ainda no campo total do quadro, na realidade atual.

5- SÃO BERNARDO: Sua postura é ereta, decidida, voltada para a Mãe de Deus e seu Filho.Segura o báculo com o braço direito, mais firmemente, está quase na posição vertical. O báculo é menos elaborado - mais pobre - que o de S.Bento. Sua mão direita, exprime atitude de rejeição à oferta de São Bento de se colocar em inferioridade diante de quem renovou sua ordem. A juventude de S.Bernardo choca, diante da velhice de S.Bento. Significa vida nova, cheia de esperança. A postura decidida de S.Bernardo, foge da interpretação iconográfica tradicional, em que velhice signifique sabedoria, experiência, santidade e a juventude, o contrário: inexperiência, afoiteza, rejeição da tradição, do que é mais velho. Em seu campo, uma pequena janela retangular, revela a claridade oculta e misteriosa mas, o turíbulo deixa a fumaça se expandir para o lado do Menino e sua Mãe, sugerindo que atingirá todo o quadro, pois a oração do Justo, sobe até Deus e envolve a realidade terrestre.

CONCLUINDO: - A revelação termina nesta nota escatológica: "Eis uma antecipação do Reino dos Céus, iluminada por uma luz que não é deste mundo, enfim, banhada por uma alegria pura e desinteressada, por uma felicidade divina, pelo simples fato que Deus existe, que nós somos amados, que a Trindade se preocupa em se revelar a nós e que tudo é graça de Deus. O êxtase brota da alma que se cala." Os místicos nunca falam do ápice da contemplação, Só o silencio o descobre.

O Pai se manifesta no seu poder criador. O Filho se revela Princípio e Fim. E o Espírito Santo? Ele está no coração do que contempla o ícone.


+ Dom Paulo Celso Demartini O. Cist.
Abade da Abadia Nossa Senhora de Sao Bernardo

São José do Rio Pardo -SP BRASIL
 
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Escrito por Mosteiro Cisterciense às 16h55
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   Por ocasião do Jubileu de Prata de Paroquiado de Dom Agostinho em São Paulo

Por ocasião do Jubileu de Prata de Paroquiado de Dom Agostinho em São Paulo

28.10.2009

 

25 + 16 anos de um Paroquiano fecundo

 

È motivo de imensa satisfação estar aqui hoje, para celebrar uma data jubilar: Bodas de Prata de Paroquiado de Dom Agostinho, meu primeiro pároco.

É uma honra e um desafio ser um de seus sucessores (4o) na Paróquia São Roque.

Meu primeiro pároco, Pe. Agostinho, pároco no São Roque por 16 anos e nesta Paróquia há 25 anos, e Vigário Episcopal nesta Região Episcopal de São Paulo;

Meu segundo pároco, Dom Orani, primeiro Abade, depois Bispo de Rio Preto, arcebispo de Belém e agora arcebispo do Rio, futuro Cardeal;

Meu terceiro pároco, Dom Edmilson, nascido e formado aqui nesta Paróquia, meu segundo Abade e agora Bispo de Barretos. (ainda ontem estive com ele).

Dom Agostinho nasceu em Milão, a mais industrial e rica cidade da Itália. Cidade do Duomo de Milão (domingo foi canonizado mais um bispo de Milão), cidade da famosa Scala (templo da moda!). Ele foi o primeiro noviço em Milão no tempo de Dom Giovanni Rosavini, depois da restauração da famosa Abadia de Chiaravalle, mosteiro do século XII, fundado por São Bernardo de Claraval.

Chegando da Itália, serviu esta comunidade de Nossa Senhora das Graças ainda na década de 60. Em 1968 assumiu como primeiro pároco na Paróquia São Roque.

Tudo que existia de novidade na Igreja na época ele trouxe para a nossa Paróquia em São José do Rio Pardo. O Concílio Vaticano II estava sendo ainda uma novidade e o Pe. Agostinho foi pioneiro em muitas coisas.

Assim, ele iniciou em nossa Paróquia São Roque e Diocese de São João da Boa Vista:

- Curso de Noivos, Encontros de Preparação para o Batismo, Cursos de Boa Nova,  Encontro para Casais, CEC, Cursilho, (tudo novidade na época), e isto até nas Fazendas (Guaxupé, Fortaleza, Graminha etc);

- Formação do Grupo de Jovens JAP (Juventude, amor e paz), que depois se chamou Tucaf e agora Shalon;

- implantação das CEBs, que até hoje existem (agora 18) com reuniões semanais e missas nas casas das pessoas todo o mês. (isto fez da nossa Paróquia uma experiência única. (Só agora surgiu uma igreja protestante no território de nossa Paróquia);

- Catequeses Iniciais para a formação das Comunidades Neocatecumenais; ele mesmo será catequista itinerante em Manaus, Belém do Pará, entre outros locais;

- Renovação Carismática Católica – o primeiro Grupo de Oração da cidade foi na Capela de Nossa Senhora Aparecida, no Bairro do Bonsucesso.

- Movimento dos Focolares – motivado pela saudosa D. Lourdinha Fontão começaram as reuniões da Palavra de Vida na Usina Itaiquara e em São José;

- Implantação do Dízimo – a partir daí até hoje não se “cobra” pela marcação de missas, bênçãos. A pessoa é livre.

- Coordenador dos padres da Diocese de São João da Boa Vista. Ele, o Côn. Máximo de Caconde e Pe. Girotti? de Tambaú. Ele girou por toda a Diocese dando cursos no tempo do saudoso Bispo Dom Tomás Vaquero;

- Criador do Programa Radiofônico “Sinal Verde para você” na Rádio Difusora de São José do Rio Pardo, todo o sábado, com o comentário da liturgia do domingo e os avisos paroquiais;

- foi sempre “expert” em fotografias (tinha uma luneta, telescópio!). Passava boa parte do dia na “câmera escura” filmando, gravando, revelando fotos;

- também trabalhou muito na gráfica, fazendo as matrizes off-set do Boletim Cisterciense, livros de cantos, Cursos da Boa Nova, novidade na época;

- de ouvido afinadíssimo, filho de organista, o Sr. acompanhava orações do Oficio Divino, especialmente nos nossos Retiros Espirituais em São José e Claraval;

- Evangelizador pelo ministério da pregação. Sua homilia é catequese querigmática, fiel à tradição da Igreja. (fez índice analítico das leituras patrísticas da LH);

- Como era lindo ouvir o Sr. cantar a Oração Eucarística na Eucaristia do Caminho (Anáfora). Que voz! De lá comecei  a tomar gosto pela liturgia e me despertei para a vocação monástica e presbiteral. E que zelo, que temor reverencial ao fazer os gestos sacramentais, tomar o cálice e outros vasos sagrados na celebração da Eucaristia;

- No seu paroquiado foram construídos em São José; o Centro Pastoral, novo Salão de Festas, nova secretaria, além da reforma da Matriz São Roque com a solene dedicação em 1983.

Dom Agostinho, fui seu coroinha. Em seu paroquiado começaram a celebrar missas no Sítio Brejinho, onde nasci. O Sr. chegou a rezar missas lá, também Dom Orani e Dom Bonifácio. Comecei a participar da Paróquia e conheci mais o mosteiro convidado pela Lourdinha Fontão.

Aqui fica nosso agradecimento ao Sr. Luigi e Pierina Zacchetti, seus pais já falecidos e que até vieram em visita ao Brasil;

Aqui venho como humilde servidor da Abadia para agradecer a Deus tudo que o Sr. fez por nós.

Que esta Paróquia Nossa Senhora das Graças saiba, reconheça e respeite o pároco que tem, ainda que hoje em dia, pela idade, talvez não possa fazer tantas coisas como antes.

O tempo que ele passa na Cúria é um serviço tão importante à Igreja. Ele está se doando gratuitamente a serviço da Arquidiocese. Por este trabalho ele nunca quis receber nada, sinal de seu total despojamento monástico. Falando com Dom Joaquim, ele me disse que é melhor ter um padre como ele, servindo na humildade e escondimento (deixando Cristo aparecer) que tantos outros que até poderiam fazer mais (mas que depois dão trabalho...).

Os Cardeais Dom Cláudio Hummes, agora Dom Odilo e o Bispo Dom Joaquim sabem em quem confiaram. E isto deve ser para todos os paroquianos uma honra.

Há algum tempo atrás ele celebrou os 50 anos de Profissão Monástica, recebeu o “báculo senectutis”, o báculo da sabedoria, mas que da ancianidade!

Neste ano em que comemoramos os 10 anos da Páscoa de Dom Guido Pierino Salvatori, seu antecessor, neste Ano Sacerdotal, que o Sr. receba todo nosso carinho e bendição ao Senhor da Messe e Pastor do Rebanho.

Querido Padre, somos gratos pelos anos que o Sr. está aqui. Foi neste seu tempo que surgiram os Oblatos Seculares Cistercienses aqui, unindo mais os monges e os paroquianos. Obrigado por esta abertura! Eles são formidáveis e amam esta Paróquia e a espiritualidade cisterciense.

Dom Agostinho, meu querido Pároco, a quem tanto devo e de quem tanto aprendi, conte com o afeto dos rio-pardenses que o estimam muito, sentem saudades, mandam lembranças sempre para o Sr. e mandam dizer que a cidade de São Jose do Rio Pardo, a Paróquia (agora chamada Paróquia Santuário São Roque) e Mosteiro (agora Abadia Nossa Senhora de São Bernardo) estarão sempre de braços abertos para recebê-lo.

 

UIOGD



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 18h59
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   audiência geral do papa sobre NOSSO PAI SÃO BERNARDO 21.10.2009

audiência geral do papa 21.10.2009

 

São Bernardo de Claraval, doce poeta de Nossa Senhora

 

Hoje durante a audiência geral

 

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 21 de outubro de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos, a seguir, o texto completo da catequese pronunciada hoje pelo Papa Bento XVI, durante a audiência geral com os peregrinos procedentes do mundo inteiro, na Praça de São Pedro.

 

***

Queridos irmãos e irmãs:

Hoje, eu gostaria de falar sobre São Bernardo de Claraval, chamado de “o último dos Padres” da Igreja, porque no século XII, mais uma vez, ele renovou e fez presente a grande teologia dos padres.

Não conhecemos em detalhe os anos da sua juventude; sabemos, contudo, ele nasceu em 1090 em Fontaines, na França, em uma família numerosa e discretamente acomodada. Ainda muito jovem, dedicou-se ao estudo das chamadas artes liberais – especialmente da gramática, retórica e dialética – na Escola dos Canônicos da igreja de Saint-Vorles, em Châtillon-sur-Seine, e amadureceu lentamente a decisão de entrar na vida religiosa.

Por volta dos 20 anos, entrou em Cîteaux (Cister, N. da T.), uma fundação monástica nova, mais ágil com relação dos antigos e veneráveis mosteiros de então e, ao mesmo tempo, mais rigorosa na prática dos conselhos evangélicos. Alguns anos mais tarde, em 1115, Bernardo foi enviado por Santo Estêvão Harding, terceiro abade de Cister, a fundar o mosteiro de Claraval (Clairvaux). O jovem abade, com somente 25 anos, pôde aqui afinar sua própria concepção da vida monástica e empenhar-se em traduzi-la à prática. Observando a disciplina de outros mosteiros, Bernardo falou com decisão da necessidade de uma vida sóbria e comedida, tanto à mesa como na indumentária e nos edifícios monásticos, recomendando a sustentação e o cuidado dos pobres. Entretanto, a comunidade de Claraval era cada vez mais numerosa e multiplicava suas fundações.

Nessa mesma época, antes de 1130, Bernardo empreendeu uma vasta correspondência com muitas pessoas, tanto importantes como de modestas condições sociais. Às muitas cartas deste período, é preciso acrescentar os numerosos Sermões, como também Sentenças e Tratados. Destaca-se também, nesses anos, a grande amizade de Bernardo com Guilherme, abade de Saint-Thierry, e com Guilherme de Champeaux, uma das figuras mais importantes do século XII.

De 1130 em diante, começou a ocupar-se de muitas e graves questões da Santa Sé e da Igreja. Por este motivo, teve de sair mais frequentemente do seu mosteiro, inclusive fora da França. Fundou também alguns mosteiros femininos e foi protagonista de um vivo epistolário com Pedro o Venerável, abade de Cluny, sobre quem falei na última quarta-feira.

Ele dirigiu seus escritos polêmicos sobretudo contra Abelardo, um grande pensador que iniciou uma nova forma de fazer teologia, introduzindo o método dialético-filosófico na construção do pensamento teológico. Outra frente contra a qual Bernardo lutou foi a heresia dos Cátaros, que desprezavam a matéria e o corpo humano, desprezando, por conseguinte, o Criador. Ele, no entanto, sentiu-se no dever de defender os judeus, condenando os cada vez mais difundidos brotos de antissemitismo. Por este último aspecto de sua ação apostólica, algumas décadas mais tarde, Epharim, rabino de Bonn, dedicou a Bernardo uma vibrante homenagem. Nesse mesmo período, o santo abade escreveu suas obras mais famosas, como os celebérrimos Sermões sobre o Cântico dos cânticos. 

Nos últimos anos da sua vida – ele faleceu em 1153 –, Bernardo teve de limitar as viagens, ainda que sem interrompê-las totalmente. Aproveitou para revisar definitivamente o conjunto das Cartas, dos Sermões e dos Tratados. Vale a pena mencionar um livro bastante particular, que ele terminou precisamente nesse período, em 1145, quando um aluno seu, Bernardo Pignatelli, foi eleito Papa com o nome de Eugênio III. Nessa circunstância, Bernardo, em qualidade de pai espiritual, escreveu a esse filho espiritual o texto De Consideratione, que contém ensinamentos para poder ser um bom papa. Nesse livro, que continua sendo uma leitura conveniente para os papas de todos os tempos, Bernardo não indica somente como ser um bom papa, mas expressa também uma profunda visão do mistério da Igreja e do mistério de Cristo, que se resolve, no final, com a contemplação do mistério de Deus uno e trino: “Deveria prosseguir ainda a busca desse Deus que ainda não foi bastante buscado – escreve o santo abade –, mas talvez se possa buscar e encontrar mais facilmente coma oração que com a discussão. Terminemos, portanto, aqui o livro, mas não a busca” (XIV, 32: PL 182, 808).



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 05h57
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   audiência geral do papa sobre São Bernardo - 21.10.2009

 

Eu gostaria de deter-me somente em dois aspectos centrais da rica doutrina de Bernardo: estes se referem a Jesus Cristo e a Maria Santíssima, sua Mãe. Sua solicitude pela íntima e vital participação do cristão no amor de Deus em Jesus Cristo não traz orientações novas no status científico da teologia. Mas, de forma mais decidida que nunca, o abade de Claraval configura o teólogo com o contemplativo e o místico.

Só Jesus – insiste Bernardo, frente às complexas reflexões dialéticas do seu tempo – é “mel na boca, cântico no ouvido, júbilo no coração” (mel in ore, in aure melos, in corde iubilum). Daqui provém o título, atribuído a ele pela tradição, de Doctor mellifluus: seu louvor a Jesus Cristo “se derrama como o mel”.

Nas extenuantes batalhas entre nominalistas e realistas – duas correntes filosóficas da época –, o abade de Claraval não se cansa de repetir que só há um nome que conta, o de Jesus Nazareno. “Árido é todo alimento da alma – confessa – se não for tocado por este óleo; é insípido se não for temperado com este sal. O que escreves não tem sabor para mim, se não leio nele Jesus”. E conclui: “Quando discutes ou falas, nada tem sabor para mim, se não sinto ressoar o nome de Jesus” (Sermões em Cantica Canticorum XV, 6: PL 183,847). Para Bernardo, de fato, o verdadeiro conhecimento de Deus consiste na experiência pessoal, profunda, de Jesus Cristo e do seu amor. E isso, queridos irmãos e irmãs, vale para todo cristão: a fé é, antes de mais nada, um encontro pessoal e íntimo com Jesus; é fazer a experiência da sua proximidade, da sua amizade, do seu amor, e somente assim se aprende a conhecê-lo cada vez mais, a amá-lo e segui-lo cada vez mais. Que isso possa acontecer com cada um de nós!

Em outro célebre sermão do domingo dentro da oitava da Assunção, o santo abade descreveu em termos apaixonados a íntima participação de Maria no sacrifício redentor do seu Filho: “Ó santa Mãe – exclama –, verdadeiramente uma espada transpassou tua alma! (...) Até tal ponto a violência da dor transpassou tua alma, que com razão podemos te chamar mais que mártir, porque em ti a participação na paixão do Filho superou muito em intensidade os sofrimentos físicos do martírio” (14: PL 183,437-438).

Bernardo não hesita: "per Mariam ad Iesum": através de Maria somos conduzidos a Jesus. Ele confirma com clareza a subordinação de Maria a Jesus, segundo os fundamentos da mariologia tradicional. Mas o corpo do Sermão documenta também o lugar privilegiado da Virgem na economia da salvação, dada sua particularíssima participação como Mãe (compassio) no sacrifício do Filho. Não por acaso, um século e meio depois da morte de Bernardo, Dante Alighieri, no último canto da “Divina Comédia”, colocará nos lábios do Doutor melífluo a sublime oração a Maria: “Virgem Mãe, filha do teu Filho/ humilde e mais alta criatura / término fixo do eterno conselho...” (Paraíso 33, vv. 1ss.).

Estas reflexões, características de um enamorado de Jesus e de Maria, como São Bernardo, provocam ainda hoje, de forma saudável, não somente os teólogos, mas todos os crentes. Às vezes se pretende resolver as questões fundamentais sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo com as únicas forças da razão. São Bernardo, ao contrário, solidamente fundado na Bíblia e nos Padres da Igreja, recorda-nos que sem uma profunda fé em Deus, alimentada pela oração e pela contemplação, por uma relação íntima com o Senhor, nossas reflexões sobre os mistérios divinos correm o risco de serem um vão exercício intelectual e perdem sua credibilidade. A teologia reenvia à “ciência dos santos” a sua intuição dos mistérios do Deus vivo, a sua sabedoria, dom do Espírito Santo, que são ponto de referência do pensamento teológico.

Junto a Bernardo de Claraval, também nós devemos reconhecer que o homem busca melhor e encontra mais facilmente Deus “com a oração que com a discussão”. No final, a figura mais verdadeira do teólogo continua sendo a do apóstolo João, que apoiou sua cabeça no coração do Mestre.

Eu gostaria de concluir estas reflexões sobre São Bernardo com as invocações a Maria, que lemos em sua bela homilia: “Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-a, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro. Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim” (Hom. II super “Missus est”, 17: PL 183, 70-71).

[No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:]

Amados brasileiros do Rio de Janeiro e demais peregrinos de língua portuguesa, com afeto, a todos saúdo e abençoo, desejando que a vossa peregrinação até junto do túmulo dos Apóstolos Pedro e Paulo reforce, em cada um, a sua fé. Esta é, antes de tudo, encontro íntimo e pessoal com Jesus Cristo. Que esta experiência vos leve a conhecê-lo, amá-lo e segui-lo cada vez mais! Ide com Deus!

[Tradução: Aline Banchieri

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

 



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 05h56
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Vocacionados para ser monge cisterciense

Você já pensou alguma vez em ser monge ou conhece alguém que tenha tal intenção?

Leia os esclarecimentos abaixo e as respostas que São Bernardo deu a alguns candidatos indecisos na sua vocação.

 

Colocamos aqui algumas observações que sempre são ocasião de perguntas de vocacionados.

Ser monge - como no tempo de São Bento (480-547), é ser um cristão que busca a Deus verdadeiramente. É alguém que, vivendo em uma comunidade concreta, procura viver só em Deus, com o coração unificado. Segue como regra principal o Evangelho vivido na espiritualidade da vida de São Bento conforme a Tradição Cisterciense. Os valores centrais são a oração, a leitura espiritual (chamada Lectio Divina) e o trabalho. Daí o conhecido refrão "Ora et Labora".

Deus chama a todos para serem santos. É a vocação universal à santidade. Para ser santo não é preciso que todos sejam monges, pois se pode viver esta vocação universal à santidade sendo um bom pai de família, um leigo engajado, um bom sacerdote diocesano, um bom religioso.

A Igreja é mãe e mestra. Quando Deus chama alguém para a Vida Consagrada ela vai ajudando a pessoa a

discernir a vocação e confirmando esta caminhada. É  preciso que a própria pessoa dê seus passos na sincera busca de Deus, no amor à oração, à obediência e aos opróbrios (humilhações). São estes os critérios que São Bento espera dos candidatos.

O itinerário vocacional em nossa Abadia de Nossa Senhora de São Bernardo, em São José do Rio Pardo, é o seguinte:

O candidato passa um tempo como vocacionado. Neste período ele escreve, telefona, visita o Mosteiro para melhor purificar sua motivação inicial. Nosso interesse não é direcionar a pessoa para que entre em nossa casa. É, antes, oferecer um espaço, um clima para que ele mesmo dê a sua resposta. Nossa função neste tempo é ajudar a própria pessoa a dar o passo, quando, como e onde.

Uma coisa é certa. No mosteiro ou fora dele a pessoa descobrirá que é chamada a ser santa, o que não significa ser impecável e perfeccionista. Os santos sempre estavam cientes de suas fraquezas e pecados depositando toda a confiança no Senhor.

Uma vez passado o tempo de vocacionado, e tendo a pessoa decidido entrar de espontânea e livre vontade, seu pedido pode ser acolhido por Dom Abade Edmilson. Com isso começa o tempo do postulantado que em nosso mosteiro é de um ano. Neste período o irmão começa a dar os primeiros passos na formação monástica.

São-lhe dados a conhecer os costumes da casa e os rudimentos da espiritualidade cisterciense. O postulante vai conhecendo a comunidade e esta vai discernindo nele os indícios de autêntica vocação monástica. Todo o romantismo inicial (pois talvez tenha entrado por causa do hábito, canto gregoriano, arquitetura, amizades) vai cedendo lugar para motivações mais profundas e consistentes (o "habitar consigo mesmo", o descobrir dentro de si a presença do Eterno que o ama não obstante as contingências do tempo e do lugar). Enfim, vai aprendendo a amar a Regra, o abade, os irmãos e o lugar. O postulante fica sobre a responsabilidade de um mestre que lhe vai ajudando no progresso espiritual. Durante o postulantado o irmão não usa nenhuma veste especial.

Depois vem o tempo do noviciado. Recebe o hábito de noviço (túnica, escapulário e faixa brancos) durante um rito interno na comunidade. É a chamada vestição do noviço, o qual é entregue aos cuidados de um irmão que em nome do Abade vai se encarregar da sua formação, ganhando sua alma para Deus. Este encarregado se chama mestre dos noviços. O noviço pode receber um novo nome, nome de um santo escolhido por ele (geralmente ligado à vida monástica) e aprovado pelo Abade. Será seu padroeiro e intercessor. Nesta etapa o noviço vai conhecendo mais de perto a vida cisterciense. Estuda a Sagrada Escritura, os Documentos da Igreja, a História Monástica, a Regra de São Bento, a Espiritualidade Monástica, a Liturgia da Santa Missa e da Liturgia das Horas, as Constituições da Ordem e da Congregação; tem aulas de Formação Humana e pode ter de música. Em nossa Congregação o noviciado é de um ano. Durante o postulantado e o noviciado o irmão não estuda fora do mosteiro. Só depois é que a pessoa poderá continuar seus estudos. No final do noviciado o noviço apresenta seu pedido para a emissão dos votos temporários, para fazer sua Profissão Simples.

No tempo da Profissão Simples ( Profissão Temporária), que dura três anos, o professo usa o hábito branco com escapulário preto, como sinal de sua consagração e capa litúrgica branca. Neste rito de profissão promete três coisas conforme a Regra de São Bento (capítulo 58): sua estabilidade na comunidade até a morte, a conversão de seus costumes e a obediência ao seu superior, o qual faz as vezes de Cristo no mosteiro. Após um ano de profissão retoma seus estudos caso estava estudando antes do postulantado. Mas a sua formação monástica não acabou com o noviciado. Participa de algumas conferências programadas para eles pelo mestre dos professos. Convém dizer que toda a comunidade é formadora e ao mesmo tempo está em contínuo processo de formação na Escola do Serviço do Senhor. No final dos três anos o irmão pede para emitir sua profissão solene na comunidade.

A Profissão Solene é o sinal da maturidade monástica, quando o irmão passa a ser realmente monge. O monge professo solene usa a cogula como veste litúrgica branca. O mais importante no mosteiro é ser monge e não o ser padre. Mesmo o padre, e mais ainda ele, tem que ter a vida comunitária como razão de sua consagração e fonte de fecundidade de seu ministério pastoral. Nem todos no nosso mosteiro são ou serão padres. O tempo vai mostrando a vontade de Deus pelo discernimento do Abade e real necessidade da comunidade. Ainda que só no mosteiro, o monge vive no coração da Igreja, oferecendo um nobre e humilde serviço, na oração e no trabalho, sentindo com a Igreja. O maior e mais belo púlpito do monge é o coro, lugar da Igreja Abacial onde passa grande parte do dia durante as orações.

 Pense nisto:

1 . ONDE você está agora, existencialmente? Conte, descreva a situação de sua vida. 'O que' e 'Onde' você está buscando o sentido de sua vida? Qual a motivação profunda que o move a ler estas explicações? Qual é a imagem que você tem de Deus, da Igreja, do mundo e de si mesmo? Deus o vê e o ama.

2 . DE ONDE você vem? Conte, descreva a história de sua vida passada detalhadamente pois Deus ama você do jeito que é, conhece-o muito mais que você mesmo e está lhe oferecendo uma oportunidade, talvez única, de você também se conhecer. Oportunidade de conhecer a mão de Deus que lhe conduz, vendo que a sua história, por mais tumultuada que tenha sido é uma história de salvação. Deus faz a cada dia uma história por você, com você e em você. Mesmo quando você foi infiel, Deus permaneceu fiel. Permitiu tantos acontecimentos na sua vida, na sua família, no seu ambiente de convívio, tudo para que você desse seu ‘sim’. Ainda que tenha dado tantas vezes um ‘não’, Ele lhe procura com amor eterno. Todos estes acontecimentos do seu passado poderão ser vistos sem medo algum à luz da fé. Nela serão superados. À medida que você deixar Deus agir, amparado pela oração da Igreja que se faz presente agora a você, esta Igreja que acontece nesta Abadia, você verá que irmãos pecadores como você foram chamados à conversão. Você também poderá experimentar a mão de Deus que educa, corrige, modela, reconstrói e lhe enviará a uma missão.

3 . PARA ONDE você vai? Viemos do Senhor e vamos a Ele. Um tema caro à literatura monástica é o da "saudade do paraíso". Conte qual a vontade de Deus na sua vida. Você está disponível a ser ajudado pela comunidade monástica a discernir melhor sua vocação e missão na Igreja e no mundo? Não nos cabe dizer se você tem ou não esta ou aquela vocação. Nossa missão é ajudar as pessoas e encaminharmos sua decisão na vocação universal à santidade. Nem todos são chamados a ser monges. Se Deus o chama Ele quer que você dê seus passos. Para onde ir? Só Ele tem palavras de vida eterna.

Se quiser, pode nos responder. Estamos aqui não como curiosos, mas como amigo e irmão.

Responder para: padrepaulocelso@hotmail.com

 

 



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 09h29
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IRMÃS DA CONGREGAÇÃO DE JESUS - 400 ANOS DE FIDELIDADE AO CARISMA DE MARIA WARD

Até alguns anos atrás eram chamadas IBVM, agora Congregatio Iesu, pois têem a espiritualidade de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus.

Estão presentes em São José do Rio Pardo desde 1936.

Graças a elas é que vieram os monges cistercienses que eram perseguidos pelo regime nazista alemão.

Em 1939 chegou Dom Afonso Heun, da Alemanha, atendendo pedido da Me. Augusta. Também Pe. Fredolino e outros.

Agradeço pelos longos anos de unidade entre as irmãs e os padres/monges do mosteiro.

Temos fotos da procissão em que vinham na empoeirada rua de terra do Colégio até o Santuário São Roque.

A irmã Cecília me disse um dia que chegou a dormir nesta igreja quando ainda não tinha portas e janelas.

O rito da entrada no noviciado delas era aqui no São Roque e a vestição era feita numa sala na entrada do mosteiro. O povo esperava ansioso as noviças na Igreja. Antes estavam vestidas de noivas, à espera do Cristo Esposo perpétuo de suas almas.

Foram elas que cantaram o Te Deum quando chegaram em 1949 os 3 padres italianos para a fundação.

Muitos quadros que estão no Mosteiro, Centro Pastoral e na secretaria são da autoria da Me. Augusta.

Muitos paramentos foram bordados pelas mãos carinhosas dessas irmãs. Chegaram a bordar à noite com a cadeira em cima da mesa, mais perto da lâmpada.

Me lembro Me. Clara, Amata, Pedra, Geralda, Relindes.

Dom Orani foi catequizando da Me. Ildeburga.

Ajudaram na limpeza do mosteiro e do Santuário São Roque.

Ontem o nosso Bispo almoçou com elas na Escola Santa Maria. Estava presente a comunidade de São José e a Me. Provincial, Ir. Sirlei, com outras irmãs, vindas especialmente para estes dias.

Dom Orani presidiu missa especial na RedeVida e participou da Tribuna Independente com as irmãs. Foi um programa muito familiar.

Também Dom Edmilson disse que gostaria muito de estar aqui hoje mas por compromisso anteriormente marcado não pode comparecer pessoalmente.

Esta Eucaristia é de agradecimento pelo grande amor que estas irmãs sempre tiveram pela cultura e fé da cidade e Paróquia.

Queridas Irmãs, obrigado pelas aulas que deram a tantas pessoas: datilografia, piano, bordado, corte e costura.

Obrigado pelo trabalho pastoral na Matriz e nas Fazendas da Paróquia; na Pevi, na Pastoral da Criança (alimentação alternativa) e agora na Pastoral da Pessoa Idosa.

Obrigado por terem guardado a fé em Deus e devoção a Santa Rita de Cássia, a ponto da capela das Sras. Nossa Senhora Rainha ser mais conhecida como Capela de Santa Rita.

Obrigado por tantas e tantas vezes terem cedido os espaços da Comunidade Religiosa como salão e capela para celebrações e eventos paroquiais.

Como rio-pardense, pedimos perdão por tudo quando tenham sofrido nesta terra, de incompreensão ou falta de reconhecimento. Nesta terra de São José muitas das irmãs repousam à espera da Páscoa Eterna.

Com grande alegria o Conselho Pastoral escolheu o Pe. José João Minussi para presidir esta missa festiva dos 400 anos, pois até hoje sua família reside perto das irmãs. Sua familia freqüenta a Capela das irmãs e ele desde pequeno aprendeu muito delas também.

Queridas irmãs, muitas e muitas pessoas devem muito às senhoras pela cultura e formação religiosa que as Sras. passaram para elas.

Queremos pedir a intercessão de Santo Inácio sobre as Sras. Que o ardor de Maria Ward continue a animá-las.




 

 
+ Dom Paulo Celso Demartini O. Cist.



Escrito por Mosteiro Cisterciense às 09h24
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